Aspirina Light

Adjaye na Casa da Música

May 14th, 2008 · No Comments

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“Recent works” é o tema da próxima conferência do ciclo “em trânsito” pelo arquitecto inglês David Adjaye que decorre Sexta, dia 23 de Maio, às 21h30, na Casa da Música - Terraço. A conferência será em inglês, sem tradução, e a entrada é livre (obrigatório levantamento de ingressos na bilheteira da Casa da Música). Esta iniciativa conta com a Casa da Música como parceiro estratégico e com o patrocínio da Tektónica.
Equivale a 1 crédito de “Formação Opcional em Matérias de Arquitectura”
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala (120 lugares)

Via Arquitectura.pt

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July 18th

May 9th, 2008 · No Comments

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O 2º Trailer

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Santogold, e o ataque de Johansson

May 7th, 2008 · No Comments

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Duas Notas;

Santogold não é nome desconhecido para quem acompanha o que de melhorzinho se vai fazendo por esse universo indie rock fora, mas com a chegada de Santogold, o álbum, firma-se finalmente, com base substancial, o talento. Les Artistes é um dos singles mais cool que o género produziu em tempos recentes e Santogold, o álbum, é o disco do momento:

Tom Waits by Scarlett Johansson. É o primeiro álbum da actriz-agora-também-cantora e se tudo se vier a alinhar pelo mesmo diapasão com que se apresenta o single de estreia, Falling Down, então é provável que Anywhere I Lay My Head, se torne numa agradável surpresa, apesar das evidentes limitações vocais de Scarlett, que surgem aqui bem disfarçadas pelo dedo cirúrgico de gente como Dave Sitek (TV on The Radio), Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs) e David Bowie. Ora, é ouvir, se faz favor:

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Todo um manancial de pequenos nadas

May 5th, 2008 · 6 Comments

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Passo os olhos por meia dúzia de blogs que são presença incontornável nos favoritos, e vejo que as criticas muitas vezes feitas à comunidade blogger têm toda a razão de ser.

Não faço escolha detalhada no que leio, do mundo onanista de Nuno Markl ao sectarismo absurdo de JPP, o meu acompanhamento ao que se escreve por essa Internet fora é bastante diversificado, e isso serve como ferramenta acessória aos fóruns de discussão e ás noticias que consumo no único canal televisivo por onde me detenho de quando em vez, a SIC Noticias, é aquilo que resta do serviço público.

A blogosfera nacional é demasiado provinciana, suporta-se em gente que utiliza o poder do teclado para morder em tudo o que mexa, seja na actualidade politica, na vergonha da economia, no marasmo da cultura ou na miserável fantochada de arremessar as ditas opiniões sobre nada, no trabalho ou na escrita dos outros. Mas, por fraca que seja, encontra suporte no que a estes assuntos diz respeito.

O que me leva a entrar pelo campo da crítica arquitectónica, que, simplesmente, não existe. Existiu, em tempos, mas quedou-se na assimilação dos intervenientes pelo sistema reinante, ainda que esse tenha mudado de mãos entretanto.

E é aí que surge a incómoda conclusão, na ausência de actividade manifestamente critica daquele que é, o negro, cenário da nossa arquitectura. Recorrem-se a malabarismos de retórica e semântica, utilizam-se discussões paralelas sobre temas que se encontram muito para lá daquilo que nos interessa. E a classe, aquela que das 9 às 20 é ininterruptamente escravizada aos olhos de uma Ordem vazia, mascarada de gente pouco interessada, entre dois cafés e uma sobremesa num qualquer restaurante high-cost da capital, até aqui se tem de se remeter à sua insignificância, sem fundamental apoio de fundo, que não surge de lado nenhum.

Contra mim falo que de actividade reivindicativa pouco ou nada me posso orgulhar, mas o cenário vigente muito tem influenciado o meu contínuo e crescente desprezo por alguns monstros sagrados do nosso, fraquinho, star-system.

Pior, a visita recente à exposição no museu nacional de história natural, onde está, por estes dias, a exposição do concurso de ideias para o Parque Mayer. O paupérrimo resultado do evento é sintomático da opinião que expus acima, é que na falta de suporte aos mais pequenos se revela o continuo decréscimo de qualidade daqueles que por vezes se reconhecem como grandes. Ficam, da exposição, três propostas. A de Gonçalo Byrne, de Manuel Mateus e a já aqui revelada proposta do ateliermob, para lá disso é uma soma gritante de visões absolutamente contaminadas por um potencial de exploração politica do contexto, que nos deverá envergonhar a todos. Por entre minimização do espaço para exploração imobiliária e disponibilização de lotes para o engordar da especulação, fica apenas um conjunto de painéis fracos, cadernos de apresentação miseráveis e uma estranheza duvidosa sobre a inclusão de duas propostas em detrimento de outras duas.

Enquanto o estranho dialoga alegremente com o inviável, continua a cena blog a fazer jornalismo parolo. Salvo meia dúzia de excepções.

Serve como desabafo.

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Yearbook 07′08, coming soon

May 1st, 2008 · 3 Comments

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If architects, critics, historians, bloggers, professors, journalists, construction magnates, city planers, etc. really want to talk about architecture, in a way that has any meaning at all for anyone who actually lives in this world (…), then they need to talk about architecture in its every variation: whether a structure is real or not, built or not, famous or not, or even standing on the surface of the earth.(…).

The suburbs are architecture; bonded warehouses are architecture; slums are architecture; NASA’s lunar base plans are architecture – as are the space stations in orbit about us (…)

Geoff Manaugh, Blogger

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Icon: 20 essential young architects

April 23rd, 2008 · 1 Comment

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O número deste mês da revista ICON apresenta uma lista dos 20+ importantes jovens arquitectos, cujo trabalho tem vindo a chamar à atenção da cena arquitectónica mundial. Não há portugueses entre os escolhidos, mas há muito nome conhecido que, pasme-se, volta a aparecer em eleições categóricas.

Kudos 4:

REX | Alejandro Aravena | Barozzi Veiga | FAT | Jesko Fezer | BIG | Architecture for Humanity | Serie | Philippe Rahm | 6a | MAD | Work Architecture Company | Junya Ishigami | JDS | Information Based Architecture | Limited Design | Carmody Groarke | Dorell Ghotmeh Tane | Sou Fujimoto | Feld 72

Via edgargonzalez.com

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BIG.tv

April 23rd, 2008 · No Comments

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LEGO TOWERS

SCALA TOWERS

BAT MOSQUE

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Casa Angola, S’A @ Construir

April 22nd, 2008 · No Comments

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A Outra Casa

O fenómeno da eco-arquitectura tem vindo a ser menosprezado pelo contexto que o precede. Não raras vezes, arquitectos com oportunidade para exprimirem as suas opiniões sobre sustentabilidade tendem a refugiar a critica no que o tema tem de mais redutor: a forma, ou, no limite, a expressão construída do objecto.

O preconceito da forma assume-se como o maior handicap no campo da arquitectura sustentável precisamente porque esta não tende a produzir luxo ou ostentações tectónicas, pelo contrário, pretende acontecer a partir da máxima gestão de recursos com considerações conscientes no que à economia de meios e ao conhecimento tecnológico diz respeito, para que o resultado final não seja apenas produto do intelecto, mas antes um acto consciente de resolução de um problema com muito mais variáveis para além do romance do lugar e a fotogenía do edificado.

A casa Angola propõe-se generosa. Pretende operar em lugares desérticos, sítios de clima quente e onde os recursos financeiros não se prestam a despesas. Pelo contrário, desenhar para a classe média/baixa em Angola, é exercício que exige a maior reflexão estratégica, de modo a que se garanta ideal harmonia entre o acto criativo, agente indissociável do processo, e a própria sustentabilidade financeira do projecto.

É aqui que se reconhece o ponto de cisão entre duas arquitecturas distintas: a primeira, que ainda se assume como o mais notório ocupante no veículo da divulgação artística, e a segunda, nobre nos seus propósitos, mas que continua a não comprovar suficientes mais valias para que se reconheça como igual à primeira, curiosamente, não nos coloca entraves, não media a sua relação com o arquitecto através de promotores confusos ou clientes disfuncionais, pelo contrário, assume-se tão redutora nos seus propósitos como o é na essência do processo que leva à sua construção – Simples, e para além disso, mais nada.

O custo da casa pretende ser controlado a partir do princípio de 50€ por metro quadrado, resolvendo, a partir daí, o problema do conforto ambiental, luxo com que ainda se não vive neste quadrante do continente africano.

A planta é simples e adaptável às necessidades das famílias que em número e em estilo poderão variar na ocupação do espaço, e, a partir de um sistema eficiente de composição modular, o interior serve as necessidades e condições sócio-económicas dos seus habitantes.

Por fora é uma casa típica, que se pretende revestir em alegoria ao sitio em que se insere, através de um revestimento exterior em Bambu, Madeira ou palhota, permitindo assim um controlo térmico a partir da menor inércia da pele exterior por oposição ao interior da casa, controlando assim as alterações térmicas ao longo do dia e à noite.

O perfil do corte não engana. Identifica o objecto na lógica do seu propósito: para além de todas as estratégias, ainda é uma casa, e, apesar de se poder vir a assumir como mais um dos parentes pobres no mundo ainda dominado pela magnificência do que a engenharia tem para oferecer, a casa Angola é o mais autêntico dos exercícios de construção.

Nenhuma arquitectura, igualmente potenciada para o conforto e excelência na assumpção dos seus propósitos se pode vir a assumir como mais arquitectura.

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O fado teimoso

April 22nd, 2008 · 1 Comment

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Ouço Thriller, 25 anos depois.

A edição comemorativa acrescenta meia dúzia de devaneios modernaços com Fergie e Will.I.Am, entre outros. O som dos originais é o mesmo e deixo-me levar por Billie Jean e Beat It, quando Jackson ainda era Jackson, e a coisa nunca soube tão bem.

Dou um salto à wikipedia e passo os olhos pelas glórias dos anos 80, que não foram loucos nem foram revolucionários. Foram despenteados e mal vestidos, foram pindéricos ao som dos Europe e brilhantes na voz de Bono, mais do que isso, foram referenciáveis, definiram estilos e fizeram-se ouvir em contextos puramente artísticos, com espaço anda para os romantismos do Brian Adams.

Poucas recordações guardo da época, mas a vantagem de uma irmã 10 anos mais velha permite identificar no universo das memórias o tom das notas que chegava na altura pela mágica fita da cassete dentro do gadget que reinou durante mais de duas décadas, o walkman. E tudo ali acontecia no tempo certo.

Procuro esvaziar o mundo actual de todo o facilitismo com que nos temos vindo a apetrechar, e imagino uma cultura sem Internet e consumo noticioso compulsivo online, e imagino a divulgação artística sem o ímpeto do mp3.

Rapidamente se enchem as bibliotecas e a Valentim de Carvalho. Imagino a TV a 2 canais, e rapidamente se enchem as paredes de posters dos meus artistas preferidos.

Neste mundo sem referência, sem brain-melters, rapidamente me canso das horas em casa. Não existem Playstations nem computadores velozes, só o Supermário na NES e um Comodore Amiga na casa de um vizinho abastado que passa o dia a correr jogos via DOS. Eu tenho um Spectrum, são 10 minutos de load ao Paperboy.

As ruas? Apinhadas de criançada que grita por todo o lado, que joga à bola e ao berlinde, e ao elástico, e ao mata, e ao piolho. E lambem as mãos cagadas da terra dos canteiros, e andam todos à porrada e aos beijos. E são todos amigos, foi sempre assim.

Jackson, na cor quase original, faz o último acompanhamento a For All Time e o disco chega ao fim, a agulha salta e rebenta-me os ouvidos naquela tecnologia imbecil que não acautelava todos os pormenores, e é 2008 outra vez.

E disto, nada. Uma rua deserta e casas apinhadas de miudagem agarradas ao msn, são as referências de hoje. E bate uma profunda tristeza no meu fado português.

Que bom que era antigamente? Talvez. Era tão melhor do que isto.

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Parque Mayer . ateliermob

April 3rd, 2008 · 2 Comments

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A importância da nova formação

Os resultados do concurso público para a área do Parque Mayer não provocou maior discussão no que diz respeito ao tema central do evento: Como requalificar uma mancha de cidade despida do seu propósito, a que apenas sobrevive a simbologia da movimentação político-social de uma Lisboa que ali encontrava, em tempos de silêncio opressivo, o lugar onde, por entre a ironia das palavras e os banhos de cor num país cinzento, se fazia a oposição possível.
As propostas classificadas nos cinco primeiros lugares devem ser primeiro analisadas a partir de uma perspectiva politica, em duas décadas foi o primeiro concurso público totalmente aberto, tendo a cidade como objecto de estudo, e esse será sempre o valor mais importante: deu-se espaço à abordagem artística.
O ganho é geral e não pertence exclusivamente à classe dos arquitectos, pertence a uma cidade que nos últimos anos vira a maior parte das obras de relevo serem estrategicamente entregues a diversos clientes, sem que da ‘boa vontade’ dos promotores se tenha retirado particular proveito.
Dos cinco classificados na primeira fase encontram-se quatro nomes comuns, Aires Mateus, ARX, Eduardo Souto Moura e Gonçalo Byrne, e um grupo que surge como o chamado underdog, Vão Arquitectos, naquela que é, curiosamente, a mais arrojada das propostas. Uma revelação que se nota pela diferença para os demais e, se neste processo, se ganhou espaço para outras perspectivas, essa é a maior das conquistas.

É a partir deste pressuposto que surge a proposta do ateliermob.

O retrato da Lisboa perdida nos recantos do Parque Mayer, é um retrato sofrível. Daqui se retiram os gostos artísticos, a conotação brejeira do teatro de revista e a boémia alfacinha dos anos 60. O Parque Mayer, outrora símbolo orgulhoso de uma resistência expectante, apresenta-se hoje como uma resolução estéril de um país que deixou há muito a praça da primavera, onde os tiques europeístas nos fazem olhar com desdém para os lugares de onde viemos, o que, com o tempo, tende cada vez mais à sua anulação histórica e a uma cada vez mais evidente perda de identidade. Tem-se vindo a dar lugar à vocação global da geografia, da EXPO ao EURO, em breve, de Alcochete até ao TGV. Aí restar-nos-á a biblioteca da história contemporânea, até que o tempo permita reconhecer estes momentos do passado como ferramentas acessórias que nos levaram à emancipação.



Apresenta-se o valor da cor. A importância de uma paleta enriquecida por uma cultura quase milenar que é potenciada na concretização de uma proposta que promove dois momentos fundamentais na abordagem ao objecto de estudo: de um lado a cultura citadina, a introdução de um ascensor e do seu valor, também ele cromático, na definição da identidade alfacinha, estereótipo que viaja ano após ano nas fotografias turísticas de quem aqui se vem encontrar. Do outro, a leitura de continuidade, da Avenida da Liberdade até ao alto do Príncipe Real, e, consecutivamente, a nova interpretação da franja do Parque Mayer que contempla na sua leitura a complementaridade com o Jardim Botânico. O testemunho do Parque é assegurado pelo Capitólio e pela manutenção do Variedades, funcionando em conjunto como valorização mútua do espaço que se volta a reconhecer enquanto momento comum. O resto é desenho cinestésico, identifica-se com facilidade a progressão das escalas e valoriza-se automaticamente o valor da presença de novos objectos que complementam a leitura do conjunto.
Nos percursos, paralelos, a cor é condição inerente a todas as conclusões. O ascensor conclui a abordagem inicial e surge como propósito que assegura a continuidade entre as partes, ao mesmo tempo que pretende resgatar o valor cultural e comercial que entretanto se perdeu, dando espaço para que o atravessamento seja acompanhado por recantos típicos da realidade lisboeta, que a partir daqui se pretendem valorizar.
O ancoramento é garantido pela impregnação de lugares comuns e pelos quais a cidade se tem mantido expectante.

3 Questões a Tiago Mota Saraiva, ateliermob

A vossa proposta assenta-se em dois fortes pressupostos, o valor da introdução do ascensor num novo eixo pedonal e a importância da paleta de cores criada por Robert Wright para a cidade de Lisboa.
De que forma contaminaram estes conceitos a vossa abordagem ao lugar e ao programa proposto?

Em primeiro lugar, diríamos que aquilo que era fundamental na nossa proposta seria o elevador enquanto gerador de requalificação urbana. Até a própria investigação histórica que fizemos veio a constatar que a ligação entra a Avenida e o Príncipe Real por intermédio de um elevador era uma velha aspiração municipal, de há 120 anos. A questão das cores apareceu-nos a partir de uma reflexão recorrente no atelier sobre a identificação da cidade de Lisboa “como cidade branca”. Ora, um olhar atento, percebe que os edifícios brancos em Lisboa são raros. A forma de entrada da luz do Sol na cidade e a reflexão que o rio provoca, é que unifica as cores e dá o mote para a considerarmos como cidade branca. No nosso entender o Robert Wright, pela sua visão externa, entende isso muito bem.

Propõe-se ainda a ligação da Av. da Liberdade ao Príncipe Real através de uma nova rua com ascensor, de trânsito condicionado que se pretende funcionar como o resgatar de uma realidade lisboeta de comércio e vivência exterior que se encontra perdida.
Colocaram recentemente no vosso blog uma questão pertinente: Frente Ribeirinha de Lisboa, existindo novas ideias e uma nova entidade gestora, quantos concursos públicos para projectistas se irão realizar?
Receiam que o tema de fundo caia em profunda especulação sem que daí se retire o que de mais importante nos deve preocupar, no que à cidade diz respeito, também em lugares como o Parque Mayer?

Lisboa continua a ser uma cidade adiada. Após anos e anos de deserção de residentes, seja por políticas erradas, por projectos e planos pouco hábeis ou por se ter dado o papel fundamental na construção da cidade a entidades, privadas ou públicas, cujo principal interesse é especular para obter mais-valias, Lisboa foi-se esgotando. É impossível lidar com uma cidade com 500.000 mil habitantes, que diariamente é “abalroada” por 2 milhões de trabalhadores que vêem dos concelhos limítrofes, e que na sua maioria foram expulsos da cidade.
Estamos a trabalhar numa cidade para 2,5 milhões de pessoas, sabendo que nela apenas dormem 500.000.
Agora, não nos parece que se esteja a aprender com os erros. Quando se fala em sustentabilidade, logo aparece o grupo financeiro do costume, e os projectos e planos são feitos por quem os faz há mais de 30 anos, com os resultados visíveis.
No que diz respeito ao Parque Mayer, o programa do concurso era absurdo. Sob a capa de se deixar aos técnicos o direito de “criar”, a Câmara Municipal de Lisboa, não definia claramente um programa ou os termos de referência para a intervenção. Foi como fazer um projecto de uma casa, para alguém que não conhecemos, que não nos diz quantas pessoas a vão habitar e que nem sequer nos dá uma planta do terreno para podermos trabalhar.
Contudo, parecia-nos um meio para se poder discutir a cidade. Apesar de ser um concurso com um programa caríssimo e mandrião, identificámos uma luz ao fundo do túnel como uma possibilidade de, jovens arquitectos e outros cidadãos (e não os agentes tradicionais), poderem produzir matéria crítica sobre a cidade que também é nossa. E foi por isso que fomos (dos poucos) que insistiu em concorrer.

No seguimento deste conjunto de propostas que têm vindo a apresentar em concursos em Lisboa, qual seria, na vossa opinião, o próximo passo em termos de objecto de estudo?

Ao longo da curta existência do ateliermob, já temos um conjunto diversificado de intervenções propostas e concretizadas em Lisboa. Desde a intervenção de requalificação de um fogo a propostas mais urbanas como a da 2ª Circular. Actualmente, estamos a pensar em tentarmos registar tudo identificando um tronco comum, se ele existe.
Sobre outros projectos para Lisboa, como vivemos e trabalhamos nesta cidade, não podemos deixar de a percorrer, de olhar à volta e propor. Mesmo que seja aos peixes.

O acompanhamento a este projecto e à actualidade do ateliermob pode ser feito via arqmob.blogspot.com. A visita é obrigatória.

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