Aspirina Light

Sobre o meio e o fim

September 2nd, 2008 · No Comments

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Ewha Womans University, Dominique Perrault

Recebi recentemente a notificação para linkagem nova ao Aspirina, relativamente a um post em que abordo o projecto de Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo para o novo Museo do Côa.

Ao reler o artigo (coisa que, reconheço, muito raramente faço) lembrei-me da visita recente ao Daily Dose of Architecture onde recolhi mais algumas imagens do Campus Center for Ewha Womans University em Seoul na Coreia do Sul de Dominique Perrault.

Quase um ano e meio depois da primeira vez que escrevi sobre a falta de entusiasmo da arquitectura portuguesa pelos seus próprios edifícios, preferindo abordar o lugar como entidade sacro-santa, génese de toda a genialidade (ou pior, não fazer nada disto e agir como se o tivesse feito), o edifício do estúdio de Perrault vem confirmar a mais triste das observações: Haja ou não sinceridade na utilização do lugar como ferramenta única no processo de projecto, ainda há um longo caminho a percorrer até que se compreenda todo o potencial de exploração desse dito conceito mágico.

Apesar de uma muito positiva evolução natural de um quadrante jovem do nosso panorama arquitectónico (arrisco a dizer, todos os que feliz ou infelizmente continuam a viver para lá dos destaques infernais da capa da revista) que tem vindo progressivamente a operar “out of the box”, falta-nos apenas esta capacidade em dissecar o próprio conceito, retirando-lhe todas as noções básicas que acabam por anular todo o potencial de exploração de que a coisa está impregnada. Falta acima de tudo radicalidade, uma viagem à raiz das coisas.

Continua a haver a limitação em supor a recusa da aceitação.

Pessoalmente, acredito que até os mais opressivo censores agradeceriam a audácia.

A visita ao post do John é obrigatória.

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Back to Uni - Fachadas vegetais

September 2nd, 2008 · No Comments

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O titulo do post não é inocente e tem uma explicação muito, muito simples.

No último ano de faculdade o meu Marco Lopes, um dos mais talentosos  e competentes jovens futuro-arquitectos com quem tive o prazer de privar naqueles 5 anos de pura demência propunha um museu no Jardim Real de Caxias um dos mais generosos projectos de finalistas daquele ano de 2006. A coisa consistia num edifício que surgia como consequência da sugestão fornecida pelo desenho barroco do jardim e pretendia ser rematada com uma fachada coberta por um manto vegetal que, tomando o tempo como elemento fundamental do processo de construção, se encarregaria de completar a obra.

Dois anos depois encontro no mui útil urbanarbolismo.es uma série de informações sobre a utilização de elementos vegetais no processo de desenvolvimento de projecto.

A visita é obrigatória a todos e a escrita em bom espanhol permite que os conteúdos se assimilem com relativa facilidade.

Entra directamente para os favoritos do Aspirina.

E o maior dos abraços ao Marco que é cliente deste vosso estaminé…

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Back to business

August 27th, 2008 · No Comments

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Muito provavelmente deverei dar brevemente inicio ‘a escrita de posts em english language… nunca foi coisa que me interessasse por demais porque pelo google analytics vejo que uma gigantesca massa adepta deste sitio vem - alem de Portugal - de terras do Brasil e vejo com grande dificuldade o corte com a lingua materna, no entanto o facto de estar todos os dias agrafado a um teclado britanico impede-me de aproveitar os tempos livres para publicar toda a info que vai passando, hora a hora, pela minha caixa de email, e que julgo ser fundamental para partilha.

Dito isto, pretendo igualmente voltar a uma actividade digna disso mesmo, e se para isso tiverem de surgir uns textos na lingua de Shakespeare… que seja!

Novidades em breve, see you soon…

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O que este país precisa

August 12th, 2008 · No Comments

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É de um Franjinhas em cada esquina…

(em resposta ao simpático e afável hatemail de Carlos Ramalho, cujo conteúdo me parece ser mais material para argumento hollywoodesco com direito a participação de um tipo rijo como o Chuck Norris do que para transcrição aberta ao público. E quanto a franjinhas e outras ratices fico-me por aqui porque já diz o outro que, pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita)

Serve tanto como desabafo sobre o desgaste que o tema já leva e a minha profunda falta de paciência para educar (o gosto de) quem quer que seja.

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“Only an Idiot Would have said No”

August 11th, 2008 · 2 Comments

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Numa fase em que se mantém a conversa (por vezes fiada) acerca d’El Raton, e, sinceramente, entre os puritanismos de quem insiste em defender o edifício por não-comparação com o Franjinhas, os que o atacam por comparação com o outro (e entre ambas as posturas, venha o diabo e escolha), quem invoca a teoria do mau render como desculpa para a má reputação da proposta e os que simplesmente se resguardam por trás daquele que é o costume mais abominável da divulgação/promoção da arquitectura portuguesa (não confundir com “da arquitectura em Portugal”), que são os hipnotismos de semântica, com exercícios de ilusionismo verbal a transbordar de smokes and mirrors (o que não deixa de ser caminho eficiente porque os portugueses sempre dançaram melhor do que a musica que tocam) e que no final nos deixam sempre com o peso na consciência de quem ousou desafiar o mestre - E agora dança - chega via EdgarGonzalez a entrevista de Jaques Herzog ao Der Spiegel, onde com a maior das sinceridades e dos pragmatismos salta borda fora da hipocrisia mundial em torno da questão Tibetana e assume sem rodeios que a possibilidade de construção do Estádio Olímpico de Pequim era peça demasiado fundamental no percurso do gabinete que gere em conjunto com Pierre deMeuron.

Fica o (longo) registo de quem opta pelo caminho da objectividade e não se exclui das opções que toma.

Absolutamente impossível de verificar num qualquer canto ibérico:

Star architect Jacques Herzog, the man behind the new Olympic Stadium in Beijing, tells SPIEGEL his arena is a subversive place where people can meet in locations not easily monitored by officials. He also defends his decision to build for a regime criticized for human rights violations.

SPIEGEL: Mr. Herzog, in the coming weeks billions of people watching the Olympics will be looking at your architecture. You can claim to have built the world’s most famous arena. Where will you be sitting during the opening ceremony in Beijing?

Herzog: I have no idea. Until a few months ago, we didn’t even know whether we would be invited to the festivities at all.

SPIEGEL: You can’t be serious! Your structure is one of the government’s favorite projects. The stadium is already being depicted on currency.

Herzog: It just happens to be the case that in China, you can never be quite sure how anything will turn out. Over the years, we were often completely perplexed, because we couldn’t gauge how our design was being received. What was missing was a clear response. But everything fell nicely into place in the end.

SPIEGEL: Your sports arena has been received with great enthusiasm, and with precisely the broad recognition that your clients were seeking. But what happens if a political scandal overshadows the Olympic Games? Couldn’t that ruin your reputation just as easily?

Herzog: That’s far too speculative. The question you are really asking is why we even accepted a commission in a country, a dictatorship, that doesn’t accept human rights. Should we be permitted to do this or not?

SPIEGEL: And, are you permitted?

Herzog: Yes. We are now convinced that building there was the right decision. We too cannot accept the disregard for human rights in any form whatsoever. However, we do believe that some things have opened up in this country. We see progress. And we should continue from that point. We do not wish to overemphasize our role, but the stadium is perhaps a component of this path, or at least a small stone.

SPIEGEL: But it’s also an important mosaic piece in the way the Chinese portray themselves.

Herzog: Who else but architects should be familiar with the effects of buildings? But there is also such a thing as an inwardly directed effect. The stadium is a good example of this. In fact, it achieves the maximum of what architecture can achieve.

SPIEGEL: Because it is so popular among the people?

Herzog: We normally don’t think in terms of symbols, but the stadium has become one. This building is literally adored. The Chinese themselves describe it as one of their most important cultural monuments, on par with the Great Wall of China. They identify with it and call it the bird’s nest. In essence, who built it is no longer relevant.

SPIEGEL: Well, that can’t exactly be in your best interest.

Herzog: Yes, it can, because it attests to a high degree of acceptance. For us, this stadium is more than just a building. It’s a part of a city. Vision is always such a big word, but our vision was to create a public space, a space for the public, where social life is possible, where something can happen, something that can, quite deliberately, be subversive or — at least — not easy to control or keep track of.

SPIEGEL: Your architecture as an act of resistance? Aren’t you exaggerating?

Herzog: No. We see the stadium as a type of Trojan horse. We fulfilled the spatial program we were given, but interpreted it in such a way that it can be used in different ways along it perimeters. As a result, we made everyday meeting places possible in locations that are not easily monitored, places with all kinds of niches and smaller segments. In other words, no public parade grounds.

SPIEGEL: They exist in front of the arena.

Herzog: But the stadium itself is more like a mountain with all kinds of different routes and paths where people can run into each other in unexpected ways. Although we have done similar things with museums in London and Barcelona, in a country like China these kinds of urban spaces acquire a different, almost political meaning. We think that many people in Beijing will understand it this way and use it for their pleasure, because the Chinese generally value public space — more, at any rate, than we have observed elsewhere.

SPIEGEL: You engaged the Chinese artist Ai Weiwei, known in Germany since the last Documenta art festival, as a cultural advisor. But he does not plan to attend the opening ceremony because, as he says, he cannot abide national self-congratulation.

Herzog: He also demonstratively refused to visit the construction site, even though he could hardly contain his curiosity. Ai Weiwei is deeply enthusiastic about the project. But I understand it when he, as an artist critical of the regime, keeps his distance from anything that could be seen as an endorsement of the regime’s policies.

SPIEGEL: These games are unique, precisely because they are taking place in a country with such a controversial regime like China’s. It’s obvious that the architect who creates the structural frame for this event will be in the global limelight. Did this make the commission so tempting as to override moral reservations?

Herzog: Only an idiot — and not a person who thinks in moral terms would have turned down this opportunity — would have said no. I know that there are architects who now claim that they would never have even considered building in China. This is both a naïve and arrogant position, one that reflects a lack of knowledge of and respect for the incredible cultural achievements this country has continuously provided over the last 5,000 years and still provides today.

SPIEGEL: Isn’t this an excessively positive standpoint, given the recent political turbulence? Some of your colleagues aren’t as charitable.

Herzog: In the last few years, in particular, we have experienced the emergence of a new generation of artists, architects and intellectuals, and they have the ability to change the society in a lasting way. Playing a role in shaping this new era is far more interesting and probably even more moral than taking part in a boycott from one’s desk. We aren’t just referring to architects in this regard, but also to other creative figures. Steven Spielberg agreed early on to be the artistic advisor for the opening ceremony, and then he withdrew, essentially at the last minute, because the regime was no longer to his liking …

SPIEGEL: … in February 2008.

Herzog: It just smells like cheap propaganda, first agreeing to take part in this sort of event and then cancelling for a current political reason that was predictable. China has not become less democratic and does not respect human rights less than it did before. China is still a long way from what we in the West expect, but the establishment of a broad, new intellectual class is a hopeful sign of change.

SPIEGEL: Really? The Tibetan conflict aside, critics are still harassed just as much as they were in the past, under the guise of a supposed liberalization.

Herzog: From our perspective, the society has in fact become freer and more diverse. But many refuse to see this, because they measure everything against our democratic conditions, which are unique and rare and, especially in central Europe, not even all that old. The interesting thing about architecture is that it exists, in a very physical and concrete way, becomes part of the history of a society and can help shape this society. Seen in this light, withdrawals and boycotts are less credible contributions.

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THE LONWAY #003

August 4th, 2008 · 2 Comments

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Viagem de sábado à tarde à Tate Modern, e surpresa absolutamente fantástica… à saída!

Com primeira passagem pelo Borough Market, o percurso de aproximação ao edifico foi feito pela rectaguarda (pelo lote onde em breve nascerá a versão londrina do Ratatuille de Mateus e Valsassina) e o ingresso feito pela magnifica nave que é imagem de marca para as instalações temporárias (onde por estes dias se encontra a H Box de Didier Fiuza Faustino). Esta inversão do processo, fugindo ao acesso pela Millenium Bridge, quebrou a hipótese de avistar a exposição que se encontra, literalmente, cravada na fachada principal do edifício.

Ponto prévio, para lá de todo o envolvimento que tenho com a arquitectura, vivi a minha adolescência no surgimento da cultura Hip-Hop em Portugal. Em 1997, quando a cultura era praticamente desconhecida pelos demais, andava eu a ouvir mixtapes do que de mais refundido se produzia nos estates e o que o Carlão escrevia com o Jay e o Virgul, nos áureos primórdios de DaWeasel.

Daí ao Graffiti, a distância foi demasiado curta, e o resto são retratos de cinco anos vividos entre a muito ténue linha que divide a arte do vandalismo.

Paradoxalmente, ganharam as paredes brancas…

De entre a vasta bagagem cultural que trago desse tempo, da dificuldade que existia entre encontrar material disponível com imagens e retratos daquilo que os mestres desse tempo produziam lá por fora (How & Nosm nos USA, Loomit por toda a América do Norte, Daim, Neck, Morritz e os demais CNS pela Alemanha) e o que, a custo, se encontrava pela internet a 56 kbps, ficou desde logo o fascínio pelo que produziam dois jovens brasileiros.

Os Gémeos, sempre foram, para mim, o expoente máximo do Graffiti a nível internacional. Pela capacidade artística e a beleza da mensagem que transmitiam e pelo duro retrato visual de um Brasil abandonado à sua sorte. As magnificas figuras amarelas, de traço tão belo quanto infantil, foram durante anos a razão pela qual acreditava (e ainda acredito) que a prática do graffiti pode surgir enquanto gigantesco potencial de composição da paisagem urbana.

Foi aqui em Londres que, à saída da Tate Modern, ao olhar para trás, para vislumbrar, mais uma vez, a magnifica peça que Jacques Herzog e Pierre deMeuron recuperaram com inigualável mestria, os encontrei. Do edifico, não ficou nada. Foi este gigantesco individuo amarelo a deixar-me aterrado:

Os Gémeos Otavio e Gustavo Pandolfo produziram esta grotesca (esta sim, verdadeiramente grotesca) figura na fachada da Tate Modern, onde também tiveram espaço para a sua arte BLU, Nunca (também brasileiro, e Sixeart, e ainda JR e Faile.

Curioso como num mundo onde a arte na parede é quase invariavelmente marginalizada (em regra geral, com razão, eu acredito que há espaço para a sua existência, mas o facto de ser impossível introduzir critérios de controlo e qualidade no que se faz, torna-me cada vez mais céptico), acaba por ser uma das mais distintas galerias de exposição a dar, literalmente, o corpo ao manifesto, numa iniciativa que surge como complemento à exposição de fotografia Street & Studio totalmente dedicada ao culto do movimento suburbano e aos retratos que este permite produzir sobre si mesmo.

Ainda mais curioso, o facto de planear um artigo sobre o trabalho de Otávio e Gustavo para os próximos dias, e, de repente, dar de caras com eles de forma totalmente inesperada.

O sítio web da instituição conta com uma secção totalmente dedicada à Street Art onde consta ainda um vídeo com o making of das peças, de visualização obrigatória.

Para mais informação relativamente ao trabalho d’Os Gémeos, sugiro a visita ao LostArt onde podem ver aquilo que são, na minha opinião, pedaços do que de melhor nos ofereceu a arte dos últimos 10 anos, e à qual, num misto de deslumbre e relutância vou dedicando sempre que posso, um pouco da minha atenção.

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Grotesque

July 28th, 2008 · 1 Comment

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Escândalo corrente na esfera blog em torno do edifício proposto por Manuel Mateus e Frederico Valsassina para o Largo do Rato em Lisboa.

Comecemos pelo início. A discussão inicia-se com publicação de um artigo de opinião de Ricardo Carvalho, no qual, se lamenta o facto de correr uma petição online contra o dito edifício. Pior, nas entrelinhas (ou nem por isso), do seu texto, a ingerência de se sugerir a delegação de competências no que à gestão urbanística do nosso território, e das nossas cidades, diz respeito. E pior ainda, o hipnotismo pela semântica, no qual, como arquitecto, me recuso a cair.

Diz o Ricardo que “Sem conhecer o objecto de interesse destas pessoas, poderíamos pensar que se trata de um novo edifício de Seguros ou da Federação Portuguesa de Futebol, ou apenas de escritórios como esses que se constroem todos os anos e que são absorvidos pelo quotidiano sem direito a um qualquer blog. Porque é que este projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus teve honras de opinião de alguns vereadores e de centenas de bloggers?”.

A condução da opinião, a começar por aqui, deita por terra qualquer hipótese de defesa da mesma, porque a arquitectura não se veste nem se maquilha, faz-se através da consideração de factores que tornarão ou não viável o que se propõe e pela soberana opinião de quem paga por ela ou quem com ela tem de lidar diariamente. O uso esse, depende do programa, e essa é função única e exclusiva do arquitecto, que nestas coisas do contraditório costuma reagir mal (e à matilha, em casos particulares). O edifício, nem que abrigasse a nova sede da AMI ou um qualquer nefasto sector da nossa igreja (essa que pode vestir o que quiser, que ninguém lhe toca) se tornaria menos susceptível à critica. Pelo contrário, sendo mais do mesmo, habitação + Retail, é um redondo falhanço, mais um, em potência, do nosso alegre urbanismo.

Não é necessário mais do que um passeio até ao Largo do Camões para se visitar o pouco que ainda resta da integridade alfacinha, essa que, esquiço após esquiço, se vê violentada na sua essência, órfã de uma arquitectura que lhe permita resistir ao tempo e que, pelo menos no que ao domínio da história e identidade de um povo diz respeito, merece ali, na faixa facilmente identificada como retrato de Lisboa ao mundo, a decente consideração daqueles que fazem da arquitectura oficio.

As referências que completam o artigo, às qualidades de escala, tipologia e materiais, enquanto lugares comuns da arquitectura, são suficientes para deitar por terra tudo o que se pretendeu construir na manifestação da ideia de Ricardo Carvalho. A referência à ruptura e a confusão com a integridade na cidade histórica, encarregam-se do resto.

Depois disso é associativismo natural de quem, e quero realmente convencer-me cada vez mais disso, é demasiado sensível à critica ao trabalho dos seus pares.

O complexo de Siza, que uns metros mais abaixo resolveu com a habitual mestria uma difícil relação entre arquitectura pós-modernaça e a arqueologia (Terraços de Bragança versus cerca Vicentina), ainda impera pelos lados da capital. Manuel Mateus é, sem qualquer tipo de dúvida, um dos expoentes máximos da nossa arquitectura cá por fora (e a aclamação do Park Hyatt Hotel em Dublin é testemunho disso mesmo) e não é na recusa da coisa do Rato que de repente se lhe belisca o currículo.

Ora encontrem lá um ponto de equilíbrio entre o que escrevem e o que realmente admiram, sob pena de perderem qualquer tipo de credibilidade na defesa dos interesses da arquitectura.

Essa, que é comum a todos e não é pertença de ninguém.

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20 Anos depois

July 23rd, 2008 · No Comments

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Via Lusa > Arquitectura.pt

Objectivos do plano de reconstrução do Chiado atingidos 20 anos depois

Lisboa, 19 Jul (Lusa) - Vinte anos depois do grande incêndio do Chiado, foram “atingidos e estão perceptíveis” os objectivos do Plano para a Reconstrução da Área Sinistrada, segundo disse à agência Lusa o arquitecto coordenador do projecto.

Jorge Carvalho, que foi o “braço direito” de Álvaro Siza Vieira no projecto, explicou que “foram introduzidas melhorias nas ligações urbanas entre a Baixa e a Alta [Chiado], foi integrada uma estação de metro e criou-se habitação como factor de revitalização e segurança da zona”.

“Agora vê-se vida intensa no Chiado a várias horas do dia. Há 20 anos, o incêndio demorou a ser notado e a ser dado o alarme devido à inexistência de habitação”, reiterou.

O arquitecto, que coordenou o plano entre 1991 e 2001, falou com a Lusa na sexta-feira, à margem de uma visita guiada ao Chiado promovida pela Ordem dos Arquitectos, no âmbito dos 20 anos do incêndio que deflagrou a 25 de Agosto de 1998 naquela zona da cidade.

Mas ainda há pelo menos um objectivo por cumprir. “Falta o último troço de uma ligação pedonal através de escadas, que ligam um pátio criado na traseiras de alguns prédios da Rua do Carmo ao Convento”, contou.
Segundo explicou, a ligação ainda não foi concretizada “por problemas com propriedade”.

Revitalizar o Chiado foi, na altura, para um jovem arquitecto, “um grande desafio e uma grande lição, com a responsabilidade acrescida de ser uma zona central da cidade com um grande simbolismo”.

Quando olha agora para o Chiado, Jorge Carvalho vê “uma cidade que parece existir há já muito tempo”.

“A intervenção pós-incêndio felizmente está escondida e é ela que possibilita esta vida que se vê, e isso é gratificante”, disse.

No edifício onde antes do incêndio ficavam os Armazéns do Chiado está agora instalado um centro comercial com o mesmo nome que, garante o arquitecto, “mantém algo da estrutura original”.

“A estrutura espacial do edifício, que foi projectado no século XVIII, era baseada em dois pátios à volta de um corpo central, essa estrutura forte mantém-se. O centro desenvolve-se entre dois pátios cobertos com vidro”, explicou.

A ideia inicial para aquele edifício era a de instalar ali um hotel, que ocupasse a maior parte da área. Além do hotel haveria ainda zonas comerciais.
“O centro comercial tem a vantagem de diversificar horários, como o hotel teria. O que permite a permanência de pessoas pelo Chiado a horas mais tardias do que na Baixa”, afiançou.

Visivelmente satisfeito com o trabalho realizado na zona, Jorge Carvalho guiou um grupo de curiosos pelos locais de intervenção do plano.

“Voltar a falar do Chiado agora que está vivido e usado é extremamente grato”, Jorge Carvalho com os presentes antes de dar inicio à visita guiada.

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Spectacular

July 23rd, 2008 · No Comments

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Oracular Spectacular, o senhor disco de estreia dos miudos Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden, os nomes por trás da sigla MGMT, b.k.a. The Management, é a maior lufada de ar fresco que a musico-industria produziu nos ultimos tempos.

O album é um verdadeiro compêndio de bom gosto e estilo, fora do convencional, e com uma largura de banda suficientemente generosa para nos fazer sentir bem empregue o dinheiro dado para adquirir a peça, coisa que hoje em dia caiu em desuso (e depois do iTunes, pior). Do rock sem preconceitos à experimentação electrónica, a dupla de putos norte-americanos promete, e de que maneira, constituir o próximo grande grupo dentro do género, com um primeiro disco que impressiona e vale a pena.

E com a cortesia do Youtube:

Companhia (entre outros) durante as ultimas duas semanas enquanto se opera em pleno centro de Estocolmo. É banda sonora perfeita para horários de trabalho pouco aconselháveis.

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TATE 2 [but not too]

July 22nd, 2008 · No Comments

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Foram reveladas as primeiras imagens pós design-review do gabinete de Jacques Herzog e Pierre de Meuron para ampliação da TATE Modern, entretanto baptizada de TATE 2.

Se não era propriamente um defensor acérrimo da primeira proposta, a coisa também não parece muito melhor depois de revisto o conceito original.

Não deixa de ficar a ideia de que após conclusão da recuperação da Central Eléctrica, e com o adicionar de Iconocoisas na “Costa del Icon” que é a zona Este da cidade de Londres, surgiu o preconceito de que o edifício não é suficientemente reconhecido no meio do espalhafato da paisagem, vai daí, e porque não se seguiram as propostas de Koolhaas, Piano ou Ando que dissecavam literalmente o belíssimo edifício original, resolveu-se recorrer à adição, que neste caso encaro com enorme desconfiança.

Em todo o caso o sitio da TATE tem um update totalmente dedicado à apresentação da proposta, desde o conceito até às mecânicas da ampliação, numa aparente sessão de terapia para quem, como eu, se mantém céptico em relação àquele que será o resultado final.

Vale a pena visitar.

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